Guarulhos

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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

“Meu filho nunca mais vai lutar boxe”, disse o pai do pugilista que desapareceu


David foi campeão mundial e segundo o pai passa por problemas de depressão (Foto: Divulgação)

O pai do boxeador guarulhense, David Lourenço da Costa, afirmou que o garoto nunca mais vai subir em um ringue de boxe. O jovem campeão mundial voltou para casa, na última quarta-feira depois de ficar 6 dias desaparecido. O pai desconfia que o pugilista possa estar sofrendo depressão, pois não conseguiu ir às olimpíadas e está sem apoio da Confederação Brasileira de Boxe. 

“Quem decidi se ele vai continuar lutando ou não sou eu”, afirmou o pai do garoto, Ailton Cardoso. O pai do pugilista disse que vai levar o filho em um psicólogo para avaliar a sua situação e depois decidirá o futuro da jovem promessa do boxe.

Segundo Ailton Cardoso, todos os atletas da seleção brasileira foram aos Jogos Olímpicos, até os que não participaram da competição, apenas David Lourenço ficou no Brasil. “Além de não ir às olimpíadas, meu filho não ganhou uniforme da seleção e seu salário foi diminuído pela metade”, disse o pai que acredita que o filho possa estar deprimido por causa desses fatores.

Questionada sobre o caso, a CBB (Confederação Brasileira de Boxe) informou que está apoiando o garoto em qualquer tipo de situação e que jamais abandonaria um atleta do nível de David Lourenço. 

Para o presidente da Confederação, Mauro José da Silva, é normal que o garoto esteja deprimido, pois ele lutava pela categoria juvenil e estava em processo de transição para a categoria adulta, então, ainda não tem o mesmo nível do que os outros atletas e por isso não conseguiu a classificação. Além disso, o boxeador guarulhense disputou vaga com Esquiva Falcão, que conquistou a medalha de prata em Londres.

“O atleta tem que ter paciência e entender que ganhar ou perder faz parte do processo. Se formos levar a fogo, eu já teria dispensado o garoto pelos resultados ruins que ele vinha conquistando, mas preferimos apoiá-lo e deixar treinando conosco para se aprimorar e dar a volta por cima”, disse o presidente.

Sobre a declaração do pai de David, Mauro José da Silva disse que apenas prejudicará o garoto se proibi-lo de lutar. “Não concordo com o pai dele. O menino já é maior de idade e ele é quem deve decidir. Ele tem qualidade e se realmente parar de lutar, pode se revoltar mais”, conclui.

A Confederação Brasileira de Boxe ainda informou que disponibiliza qualquer tipo de tratamento para os seus atletas e tem uma equipe de médicos e psicólogos pronta para atender os lutadores.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Rivais de Guarulhos se unem no Dia do Futebol

Joaquim Mangueira (à dir.) e Ricardo Ageá (à esq.)  (Foto: Alberto Augusto)

De um lado, o cartorário de 36 anos, morador do bairro do Macedo, Ricardo Ageá. Do outro, o empresário de 52 anos, residente do Parque Renato Maia e guarulhense, Joaquim Mangueira. Essas duas pessoas têm algo em comum: a presidência dos únicos times profissionais de futebol da cidade, AD Guarulhos e Flamengo, respectivamente. Hoje, 19 de julho, é comemorado o Dia do Futebol. O Futebol e um pouco mais promoveu o encontro dos mandatários guarulhenses, onde eles puderam debater sobre o futebol na cidade, a falta de estrutura, relembrar velhos momentos do esporte e ainda comentar sobre as suas equipes. 

Considerado um amante do futebol, Ricardo Ageá começou a fazer parte do AD em 2004, quando se tornou um dos conselheiros do time. Em 2007, propôs-se a ser presidente da equipe e até hoje comanda o time. 

“Meu irmão jogou e trabalhou no Guarulhos e como eu sempre amei o futebol, achei que seria uma oportunidade de colocar minhas ideias em prática, mudar algumas coisas dentro do esporte, na cidade, assim me coloquei a disposição para ser presidente do clube”, explicou o presidente.

Joaquim Mangueira nasceu em Guarulhos e se diz apaixonado pela cidade. Desde 2004 ele frequenta o Flamengo de Guarulhos por amar o futebol e achar que a cidade precisava ter uma grande representação no esporte. Em 2011 assumiu a vice-presidência do clube e, em março desse ano, durante a disputa do Campeonato Paulista Série A3, tornou-se presidente do clube.

“Peguei uma bomba. O time estava para ser rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Paulista e o ex-presidente renunciou o cargo, como eu era o vice-presidente, fui assumir o Flamengo. Eu não podia deixar na mão de outras pessoas, se não, nosso planejamento ia por água abaixo”, argumentou o Joaquim Mangueira.

Futebol guarulhense passa por um mau momento

Neste ano, a cidade de Guarulhos não conseguiu engrenar um bom futebol com os seus representantes. O Flamengo brigou para não ser rebaixado para a Série B1 e o AD Guarulhos não passou da primeira fase da segunda divisão do Campeonato Paulista.

"Sou torcedor do Flamengo" (Foto: Alberto Augusto)
“Além de presidente, eu sou torcedor do Flamengo, na última rodada da primeira fase da Série A3 eu estava no estádio acompanhando o time e muito nervoso. Durante dois minutos fomos rebaixados para a Série B, mas por muita sorte, aos 47 minutos do segundo tempo, o Taboão da Serra empatou o jogo com o XV de Jaú e assim permanecemos na A3. Nossa campanha foi muito abaixo do que esperávamos, foi uma decepção”, disse o presidente do Flamengo de Guarulhos.

Com pensamento diferente, Ricardo Ageá elogiou a equipe e todos os jogadores do elenco do Guarulhos: “Nossa participação na segunda divisão foi muito honrosa, dentro dos nossos limites. Meus jogadores não recebem um salário, recebem uma ajuda de custo e mesmo assim foram guerreiros e valentes para brigar até a última rodada da primeira fase da competição”, disse.


Falta recursos e estrutura no futebol da cidade

Guarulhos é a segunda maior cidade do estado de São Paulo e não tem nenhum time profissional na elite do futebol. Questionado sobre isso, Joaquim Mangueira não titubeou para falar: “Falta investimento”, e ainda completou: “Fazer futebol hoje, você tem que ter receita, dinheiro, com isso, você faz um bom planejamento, contrata jogadores, pessoas competentes para gerir o futebol e sem dinheiro você fica impossibilitado de fazer qualquer coisa”, afirmou.

 Ricardo Ageá concordou com Joaquim sobre a falta de investimentos e disse mais em sua resposta: “Falta união na cidade. Guarulhos deveria ter um clube só. Isso ajudaria muito a gente a conduzir um time na primeira divisão. Um time só a força ficaria canalizada apenas para um lado”.

Rivalidade apenas no futebol e na torcida

Apesar de serem considerados rivais por presidirem times da mesma cidade, os dois se conhecem de longa data e preferem deixar a rivalidade apenas para os jogadores e a torcida.

“Não tenho raiva do Flamengo, pelo contrário, quando o Flamengo escapou de ser rebaixado eu liguei para o Joaquim (Mangueira) e o parabenizei, disse que ele era um cara abençoado e que sua estrela tinha brilhado. Ele é uma pessoa muito competente”, contou Ricardo Ageá.

“Eu admiro o Ricardo, a gente que está no meio do futebol entende como são as coisas. Ele está presente no futebol do Guarulhos sozinho e mesmo assim consegue pôr o time pra disputar campeonatos. Não tem como não torcer por ele e por sua equipe”, disse o comandante do Flamengo.

Duelo entre Flamengo x AD Guarulhos

Em 33 anos de profissionalização do Flamengo e 31 anos de AD Guarulhos, quando ainda era o conhecido Vila das Palmeiras, os dois times tiveram apenas uma oportunidade de participar da mesma divisão e jogar um contra o outro, como profissionais da Federação Paulista de Futebol.

Isso aconteceu no ano de 2000, durante a disputa da segunda divisão do Campeonato Paulista. No dia 19 de junho, na 12º rodada da competição, os dois times se enfrentaram. O Flamengo levou a melhor, venceu o jogo por 2 a 0 e naquele ano sagrou-se campeão do Campeonato Paulista Série B1.

Ricardo (Presidente do AD Guarulhos), exibe a camisa do time (Foto: Alberto Augusto)

Um recado para o Dia do Futebol

Como bons entendedores do futebol, Ricardo e Joaquim não podiam deixar de parabenizar o esporte e passar uma mensagem para todos aqueles que fazem parte da modalidade mais disputada e conhecida no mundo.

“Quero dizer que o futebol não vive sem o torcedor. Esses são os maiores valores que um time tem. Não gosto de torcida organizada, gosto de pessoas que vão acompanhar o time não importa como e quando”, falou Ricardo Ageá.

“Meu desejo é que acabe a violência dentro e fora dos gramados. Isso é um mal para o esporte. Quando acabar, esse esporte será bem melhor e mais valorizado”.